O tamanho que não dá pra medir

 

A gente costuma medir tudo.

Tamanho.
Valor.
Tempo.

A gente aprende a olhar e dizer:
“isso é grande”
“isso é pequeno”

Como se fosse simples assim.

Mas nem sempre é.

No crochê, isso aparece o tempo todo.

Tem peça pequena
que leva horas.

Tem detalhe quase invisível
que muda tudo.

E tem criações que, na mão, parecem simples…

Mas mudam completamente de tamanho
quando encontram o lugar certo.

Os polvinhos são assim.

Cabem na palma da mão.
Não passam de alguns centímetros.

Delicados.
Leves.
Discretos.

Mas, perto de um bebê prematuro…

eles são enormes.

Enormes no cuidado.
Na presença.
Na função.

Enormes naquilo que oferecem sem fazer barulho.

O que, pra gente, parece pequeno,
pra alguém tão pequeno ainda…

é quase um mundo inteiro.

E talvez seja isso que o artesanal ensina.

Que tamanho não é só medida.

É relação.

É contexto.

É o encontro entre quem faz
e quem recebe.

Às vezes, o que alguém precisa
não é algo grande.

É algo que caiba na mão…

mas preencha o que falta.

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