Eu não sei dizer exatamente quando aprendi crochê.
Mas sei que era muito cedo.
Minha avó ainda estava aqui.
E quando ela se foi, eu tinha só 11 anos.
Então foi antes disso. Bem antes.
O que eu lembro não é de um começo.
É de repetição.
Metros e metros de correntinha.
Aquele primeiro ponto básico, indo e voltando sem pressa.
Não era sobre fazer algo bonito.
Era só… fazer.
E ficar ali.
Com o tempo, ela foi me mostrando outras coisas.
Bem aos poucos.
Uma mantinha.
Uma roupinha de boneca.
Squares cor de rosa.
Eu lembro de estar sentada na areia da praia, fazendo crochê.
Pequena demais praquilo, talvez.
Mas não parecia estranho pra mim.
Só pra quem passava.
Tem coisas que a gente aprende antes de entender.
E quando entende… já faz parte.
O amigurumi veio muitos anos depois.
Nessa época, minha avó já não estava mais aqui.
E nem se chamava assim ainda.
Eram só “bichinhos de crochê”.
Eu encontrei isso numa daquelas revistinhas simples,
dessas que a gente pega sem pensar em loja de armarinho.
Na capa, tinha uma sapinha.
Eu não sabia, mas ali tinha alguma coisa me esperando.
Mas não foi ali que a Casa de Boneca nasceu.
Na verdade… talvez ela tenha começado muito antes.
Lá atrás.
Entre uma correntinha e outra.
Entre uma tentativa e outra.
Entre duas mãos.
☕
Se você também tem uma história assim —
daquelas que começam pequenas e ficam —
talvez ela também caiba aqui.

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