Crochê acalma. Mas também testa.

Tem uma parte do crochê que quase ninguém mostra.

Não é a peça pronta.
Não é o ponto perfeito.
Não é o resultado bonito.

É o que acontece no meio.

E, às vezes… é meio caótico.

O sofá faminto.

A agulha caiu?
Então já era.

Você olha.
Procura.
Levanta a almofada.

Nada.

Como se nunca tivesse existido.

Desaparecimento mágico.

Você ouviu cair.

Tem certeza absoluta disso.

Mas nunca mais viu.

Nem sinal.
Nem pista.
Nem explicação.

Erro fantasma.

Ele estava lá desde o começo.

Mas você só percebe… no final.

Quando já fez.
Quando já terminou.
Quando já não tem mais como “desver”.

O fio rebelde.

Não importa o cuidado.

Não importa o jeito que você guarda.

Não importa o quanto você tenta evitar.

Ele vai embolar.

Sempre.

E, por um momento, tudo isso cansa.

Testa a paciência.
Interrompe o ritmo.
Dá vontade de largar.

Mas a gente não larga.

Porque no meio disso tudo… tem algo que funciona.

O ponto que encaixa.
O movimento que repete.
O silêncio que aparece sem avisar.

Tem algo no fazer que fica.

Mesmo com erro.
Mesmo com bagunça.
Mesmo com agulha perdida no sofá.

E talvez seja por isso que a gente continua.

Não pela perfeição.

Mas pelo que acontece enquanto faz.

Se você leu até aqui e se reconheceu,
talvez você já entenda mais do que parece.

E se quiser ver o que nasce no meio desse caos todo,
as peças estão por aqui — prontas pra fazer parte também.

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