Antes de ser personagem, é só encontro.

Partes soltas sobre a mesa.

Um corpo que ainda não é corpo.
Braços que não sabem a quem pertencem.
Um rosto que espera expressão.

Fio com fio.
Parte com parte.

Separados, não contam história.
Juntos, começam a respirar.

Aqui, nada nasce correndo.
Cada etapa pede pausa,
pede olhar,
pede escuta.

Há momentos em que o sentido ainda não aparece.
E está tudo bem.
Nem toda criação se revela de imediato.

A magia acontece na junção.
No instante em que o que parecia fragmento
se reconhece inteiro.

É ali que o personagem surge —
não como tendência,
mas como presença.

Nasce quando faz sentido.
E só então está pronto para existir.

Comentários